Participação Política e Protagonismo Juvenil

Protagonismo Juvenil

O termo “Protagonismo Juvenil” tem sido tão utilizado nos últimos anos, que o seu significado acabou assumindo aspectos diferenciados para os diversos grupos que dele fazem uso.

Já em 1980, a Pastoral da Juventude, para afirmar “jovem evangelizando jovem”, utilizou o termo “protagonista”, para se referir à juventude com sujeito da ação pastoral. Quem coordena o grupo de jovens são os/as próprios/as jovens! E esta ação pastoral que é organizada e executada pela juventude tem um caráter intrinsecamente coletivo e está direcionada para a transformação social. Ela é, portanto, uma ação política por excelência: geradora de uma nova sociedade.

Em fins dos anos 90 e início deste milênio, a expressão “protagonismo juvenil” também é identificada no trabalho de muitas ONGs, órgãos do poder público e, hoje, é quase um termo obrigatório em documentos e projetos diversos. No entanto, o que, na maioria das vezes, se tenta afirmar com o uso desta expressão é a valorização de uma ação voluntária, individual do/a jovem. O objetivo da ação é a própria ação e pronto! Não é uma ação que provoca ou quer provocar mudanças nas estruturas políticas, mas uma ação intimista. Ou seja, uma ação para mudar (ou “melhorar”) apenas quem a executa e não determinada condição social.

Com isso, há um esvaziamento, cada vez mais intenso, da ideia de compromisso social ou de uma prática transformadora. Tampouco se afirma a construção de uma nova sociedade. Aliás, não é por acaso que o uso da expressão “protagonismo juvenil” tem sido cada vez mais incentivado por investidores como o Banco Mundial ou organismos internacionais. Ao re-significar esse sentido que a expressão continha, por vezes, pretende-se opor a ideia de sujeito coletivo ao sujeito individual, voluntarista.

O mesmo termo, quando usado pelas Pastorais, é carregado de um sentido muito semelhante ao da “militância”. Ser protagonista é ser militante! É necessário resgatar este sentido político do termo. Protagonizar, ou seja, “exercer o papel principal” não é afirmar que o indivíduo jovem deve ser a estrela, o “superstar”. Mas, é afirmar que o/a jovem não deve pedir permissão para os/as adultos/as para sonhar e construir um mundo diferente. Enquanto o/a adulto/a pede moderação, a juventude protagonista é radical na sua crítica às injustiças e na sua atuação política forjadora de uma sociedade diferente!

Fonte:

Renato Souza de Almeida

IPJ – Instituto Paulista de Juventude

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